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Mudança nas urnas, inquietação nas ruas: o Entroncamento pós-eleições

Nelson Cunha (Opens in a new window)
Nelson Cunha, do Chega, é o novo presidente da Câmara do Entroncamento.

O Entroncamento ainda digere a vitória do Chega nas Autárquicas de domingo, com 37,34% dos votos. Conhecido pela sua tradição ferroviária e perfil operário, o desfecho não surpreendeu todos – mas gerou debate e apreensão entre os moradores. Entre um “voto de protesto” e um “apelo à segurança”, são várias as razões apontadas para justificar esta mudança “radical” numa cidade que dizem estar “virada do avesso”.

REPORTAGEM de Jéssica Filipe

Num banco situado no Largo José Duarte Coelho, em frente ao edifício da Câmara Municipal do Entroncamento, ao final da tarde de ontem, José Caroço e José Rei observavam o movimento das ruas em volta. A cidade parecia seguir o seu ritmo habitual, mas sofreu uma enorme mudança no passado domingo – e esse tem sido desde então o tema de conversa: o resultado das eleições autárquicas.

José Caroço tem 80 anos, é natural de Castelo Branco, mas reside há duas décadas no Entroncamento. Ao nosso jornal diz que a vitória do Chega já era esperada, mas nem por isso deixou de o surpreender.

“Aqui era expectante [sic] que eles ganhassem… porque o Chega está na moda. Mas fiquei admirado, porque isto é uma cidade operária, uma cidade de trabalhadores, e isto ficou tudo virado do avesso. A malta que anda aí e acha piada ao Ventura, votou nele.”

José Caroço e José Rei
José Caroço e José Rei, residentes no Entroncamento. A conquista da Câmara pelo Chega no passado domingo domina desde então todas as conversas nas ruas e cafés. Foto: mediotejo.net

O tom mistura resignação e incredulidade. José Caroço não esconde o distanciamento em relação ao partido vencedor. “Eu não votei, nem nunca votarei [nesse partido]… porque o homem não tem quadros.”

Para este residente, o desfecho da noite eleitoral de domingo é reflexo de um voto de protesto. “Isto é um voto de revolta. Os partidos do centro não melhoraram consideravelmente a vida das pessoas. Não deixam ninguém passar fome, mas as coisas continuam muito más e a malta quer mudança… este homem tem um discurso de encanta serpentes, mas não passa disso.”

Apesar da vitória, José Caroço acredita que o novo executivo municipal terá dificuldades para concretizar promessas. “Eu acho que ele não vai fazer nada de especial porque não tem quadros para isso e não tem aqui a maioria. Até pode fazer alguma coisa, e Deus queira que sim. Se calhar até é bom, para não serem sempre os mesmos.”

Quando houver votação para se fazer qualquer coisa, há quatro contra três. Se o Chega tivesse quatro vereadores, provavelmente podia haver um bocadinho de mudança. Assim, é ingovernável… tal como foram ingovernáveis os últimos anos aqui”

Ao seu lado, José Rei, ouve com atenção a opinião do conterrâneo. Aos 79 anos, conta que vive no Entroncamento há mais de seis décadas e tem uma leitura diferente, marcada por um sentimento de “saturação” e desigualdade social. (…)

“Os 12 anos que passaram aqui do PS, o que fizeram? Nada, fizeram zero. Antes tínhamos 27 mil habitantes, hoje temos mais de 40 mil. Vamos às escolas, ao Centro de Saúde, à Segurança Social e está tudo cheio de pessoas que vieram para aqui. Os serviços que existiam eram para as pessoas de cá e afinal os serviços nem chegam só para as pessoas que vieram de fora. Essa é a base.”

(…) Uma mulher, ouvindo atentamente, concorda com o diagnóstico e acrescenta: “As pessoas acharam que isto tinha que mudar e bem fizeram. É uma mudança radical. Precisávamos.” Outro homem confirma com um aceno: “Precisávamos muito.”

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA AQUI (Opens in a new window)

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